Mais sobre a escrita Armênia

Falemos inicialmente da Armênia e de povo armênio. A Armênia de hoje se localiza na região montanhosa do Cáucaso, na fronteira entre Europa e Ásia, situada entre os mares Negro e Cáspio. Ali ficam também partes do sul da Rússia, a Geórgia e o Azerbaijão.

O país faz fronteira ao sul com o Irã, a leste com o Azerbaijão, país que a Armênia separa em duas partes, e no sudoeste com aporção menor do mesmo Azerbaijão. Ao norte faz divisa com a Geórgia e a oeste com a Turquia.

4,5 milhões de armênios étnicos estão dispersos pelo mundo e 3 milhões vivem na Armênia, no seu território de 29,7  mil km². Há ainda no território azeri uma área de de 11,46 km², a  República de Nagorno-Karabach (142 mil hab.), território disputado por azeris e armênios, ocupado por esses últimos.  Essa área originalmente era menos (4,4 km²) e se ligava à Armênia pelo chamado “corredor de Lachin” que cortava o território do Azerbaijão e que era usado pelos armênios (ver mapa).

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O alfabeto armênio foi criado pelo Santo Mesrop Mashtots e Isaac da Armênia (Saaka Partev) em 405 d.C. Fontes Armênias da Idade Média dizem que Mashtots também teriada criado, o alfabeto Georgiano e a antiga escrita albanesa, o que é contestado por especialistas. A primeira frase que Mashtots teria escrito no seu alfabeto seria “Para se conhecer a sabedoria e a instrução; para se entenderem, as palavras da prudência” Provérbio de Salomão 1:2;

Mashtots nasceu em 362 a.C. e morreu em 440. Era como um homem do Renascimento, sendo um militar, clérico, linguísta e estudioso de diversas ciências. Traduziu diversos trabalhos significantes e estabeleceu escolas e monastérios. Foi biografado por Koriun, Agatangelos e outros. No Matenadaran (Instituto Mesrop Mashtots de Antigos Manuscritos, Erevan – Armênia) há uma estátua dele e do seu discípulo Kooun feita por Ghukas Chubaryun

Em outubro de 2005 foi comemorado o aniversário de 1600 anos desse alfabeto (“Aybuben”) na igreja da vila de Oshakan (datada do século V) que foi construída em homenagem a Mesrop e onde foi sepultado.

O alfabeto todo com suas 39 letras foi todo esculpido em blocos (um por letra) de dois metros de altura feitos em tufa calcária vermelha no estilo dito “Khachkars”, pedras com cruzes, na área onde seu criador foi sepultado.

Linguístas citam a escrita armenia como uma das mais antigas ainda em uso, tendo mostrado uma notável durabilidade, passando sob vários impérios, migrações, genocídios. A Armênia é um país pequeno e seu povo sofreu uma enorme diáspora, mas sua língua foi como um cimento que manteve o povo junto. A manutenção da língua e da escrita mesmo diante de tantas dificuldades é algo quase milagroso, um mérito inegável da cultura e do povo armenio.

As pedras com cruzes esculpidas, são símbolos tradicionais da enorme fé do povo da Armênia (primeira nação a dotar o Cristianismo – 301 d.C.) que se manteve unido e resistiu a tantas adversidades. A pedra original primeira veio do Monastério Sagrado de Echmiadzin em 1279, região do monte Ararat.

Lendas contam  que são Gregório o iluminador orou durante um dia no monte Aragats (o mais alto da Armênia – 1800 m) e um milagroso lampião que jamais se apagava e estava suspenso no céu desceu para dar luz ao santo. Essa lanterna ainda seria sempre visível pelos que são puros de espírito e de coração, simbolizando as esperanças e sonhos de todos armênios.

Há outra locação na Armênia com as letras gigantes além de Oshakan. Fica numa colina situada nas encostas do monte Aragats já citado acima, nas proximidades da cidade  de Aparan, província de Aragatsotan, 50 km a noroeste de Erevan.

Alfabeto Armênio (fonte – site Omniglot.com)

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Imagens diversas:

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OSHAKAN e APARAN (respect. 8 e 2 fotos)

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Sítio de Aparan:

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Outras imagens relacionadas à escrita Armênia

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Dias da semana em Russo

Curiosidade, dias da semana em Russo e algumas “ramificações” de seus significados. Exceto onde comentado, os nomes são bem semelhantes nas demais línguas eslavas. (entre parênteses, pronúncia aproximada em “português”).

Antes disso, porém, relembremos que basicamente, nas línguas românicas (exceto português), os dias “úteis” da semana têm seus nomes com base na Mitologia Grega; nas línguas germânicas, os nomes se baseiam na Mitologia Nórdica; Nas línguas eslavas e no Grego, os nomes mostram sequência numérica (como, aliás, em português); Outro paralelo pode ser feito nos e remete aproximada e respectivamente aos Cristianismos: Católico, Protestante, Ortodoxo.

 

Segunda-feiraПонедельник (panedielnic)

O prefixo russo по- indica algo incremental, adiciona; e неделя é “semana”. Assim, em понедельник incrementamos a semana, ou seja, começamos de novo, 1º dia.

 

Terça-feiraВторник   (ftornik)

A palavra второй significa “segundo”, assim, вторник é o 2º dia da semana!

Uteri é a palavra usada em outras línguas eslavas

 

Quarta-feira – Среда (sredá)

A palavra significa literalmente среда , meio / metade, algo com o o Mittwoch (meio da semana) do Alemão.

Em algo similar, lembreos que o inglês Wednesday tem  um apelido, “hump day” (de hump = corcunda, bossa, corcova).  No meio de uma semana de trabalho (quarta-feira) se atinge o topo de uma colina, para depois descer para o fim de semana.

 

Quinta-feira Четверг (tieviork)

A palavra четвертый significa “quarto”, então четверг é, obviamente, o 4º dia da semana.

 

Sexta-feiraПятница (piatnitsa)

E o número cinco é пять, então пятница é  o 5º dia da semana

 

SábadoСуббота (subota)

O nome суббота, assim como a palavra sabato do italiano e nomes similares em muitas línguas, encontra as suas raízes na palavra hebraica shabbat, sabbath, termo bem universal.

 

Domingo – Воскресение  (vascreciene)

O prefixo вос– indica movimento “para cima”, e крест é “transversal”, “cruz”; não se deve pensar, porém, que воскресать seja  “crucificar”, mas, em verdade, “ressuscitar dos mortos” ( domingo da Páscoa cristã). Assim воскресение significa “a ressurreição”.

Por sua vez, Nedelya ou similar, palavra usada nas demais línguas eslavas é algo como “não(Ne) trabalho

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Numeração Yami

Vejamos mais um curioso, mas nem tanto assim, sistema para expressar números, quantidades. Não é tão estranho pois, como nós humanos (quase todos) temos dez dados, tal sistema de numeração é também e naturalmente de base decimal.

Tratamos aqui da numeração da Língua Yami

Yami (em chinês: 雅美), também chamada Tao (chinês: ), é uma língua Malaio-Polinésia, sendo parte do continuum dialetal Ivatano É falada por cerca de 3.800 pessoas do povo Yami de Taiwan, da Ilha Orquídea, que fica 45 km a sudeste na principal ilha Taiwan. É chamada de ciriciring no Tao ou “língua humana” por seus falantes nativos.

Yami é a única língua nativa dos Aborígenes de Taiwan que não faz parte das “línguas formosanas” sub-grupo das Malaio Polinésias. Pertence ao grupo das línguas Batânicas faladas no norte das Filipinas.

O quadro a seguir é auto-explicativo… apresenta até explicações…

 

Yami-numeros

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Francês na Inglaterra?

Sempre valorizei muito a presença da língua francesa na Inglaterra, no Reino Unido, na Grã Bretanha. Afinal, tanto o Brasão do Reino Unido com seu texto “Dieu et mon Droit” (Deus e meu Direito), como o motto da nobre Ordem da Jarreteira (ver links ao final), “Honni soit qui mal y pense” (Envergonhe-se quem nisto vê malícia), estão escritos em francês.

Além disso, a dinastia de origem francesa, a dos Plantageneta ou Angevina (d’Anjou) formada pelo conjunto de monarcas ingleses que reinaram em Inglaterra entre 1154 e 1399, reforça essa crença.

Um pouco de história: o nome da dinastia tem origem na giesta (“plant genêt” em francês) que o fundador da casa, Godofredo V de Anjou, escolheu para símbolo. Os Plantagenetas são originários do Condado de Anjou, hoje na França, que chegaram ao poder na Inglaterra pelo do casamento desse Godofredo V de Anjou com Matilde de Inglaterra,  herdeira de Henrique I de Inglaterra. O primeiro rei Plantageneta foi Henrique II, filho de ambos. A dinastia Plantageneta é um dos ramo da mais ampla dinastia de Anjou.

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Vejamos agora um texto de terceiros (com citações de pesquisas por estudiosos) que aqui apresento e que explica mais sobre as influências da língua francesa, mas precisamente do francês da Normandia (noroeste da França, junto a Canal da Mancha), na língua inglesa.

 

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 A conquista normanda de 1066 por Guilherme, o Conquistador, marcou o início de uma era de grande influência francesa na Inglaterra. No entanto, apesar de ser algo que pareceria lógico, o Francês não se tornou a língua oficial nem mesmo não oficial da Inglaterra. Guilherme, Duque da Normandia  não estava juntando as terras da Normandia e na Inglaterra, não tendo nenhuma intenção de substituir a língua ou a cultura inglesa. O Latim e o Inglês foram utilizados para a maioria dos documentos e proclamações formais de Guilherme e o sistema legal Inglês foi renovado, não substituído. Afinal, Guilherme foi reclamar legitimidade à sua sucessão. No entanto, a classe alta foi quase completamente tomada por normandos (de língua francesa) e, apesar do sistema jurídico ser Inglês, muitos dos processos judiciais e documentos eram escritos em francês.

É importante saber que havia vários dialetos franceses falados no continente neste momento e durante a Idade Média. O francês Normando era distinto daquele de Paris ou do continental e, com o tempo, o francês falado na Inglaterra pela aristocracia rural Normanda se tornou-se distinto. Os eruditos se referem ao dialeto particular de francês falado pelos franceses nativos que viviam na Inglaterra de anglo-normando ou anglo-francês.

 Uma questão interessante é saber por quanto tempo esses aristocratas mantiveram o anglo-normando como sua língua materna. O desejo de Guilherme para preservar o Inglês como língua nacional foi bem sucedido e sem dúvida é diretamente (embora não exclusivamente) responsável pelos habitantes da Inglaterra falarem inglês até hoje. Além disso, apesar da dominação do Frances sobre as classes superiores e o sistema legal, os descendentes Normandos falando a língua ainda estavam em completa desvantagem diante da massa falante de inglês em todas as outras classes. Estudiosos modernos estimam que a migração inicial de normandos para a Inglaterra após a conquista não foi mais que 20 mil pessoas, incluindo o exército, um número aproximadamente de 1,3% da população da Inglaterra (Berndt 1965, Kibbee 1991). Então, quanto tempo levou para os falantes nativos anglo-normandos a desistissem de sua língua em favor de Inglês?

Não há respostas certas, é claro, o assunto é confuso em função de mais chegadas posteriores de alta nobreza francófona, com o casamento de Henrique II com Eleanor da Aquitânia em 1152 e mais tarde o casamento de Henrique III com Eleanor de Provence. Essas influências posteriores, porém, não adicionaram mais população de língua anglo-normanda, uma vez que trouxeram outros diferentes dialetos do francês. Além disso, há muito debate entre os estudiosos da primeira metade do século XX (e no trabalho posterior em que se baseiam estudiosos), como Legge, Kibbee, Vising, etc, e os estudiosos dos últimos vinte anos (por exemplo, Rothwell, Dahood).

Há muito questionamento sobre a real objetividade desses estudos iniciais e novas evidências vêm continuamente surgindo, umas contradizendo as outras. Como exemplo, temos o grande repúdio de Rothwell ao fato dos Normandos terem permanecido bilíngües por séculos depois da conquista normanda. No entanto, a maioria dos estudiosos  hoje concorda que no início do século XIII o francês como língua nativa entrou definitivamente em declínio, mesmo entre a nobreza de origem Normanda (Kibbee 4). Ambos Rothwell e Dahood opinam que esse declínio já vinha ocorrendo desde meados do século XII, dizendo que “já em 1173 e por um tempo indeterminado antes disso, os membros do baronato falama Inglês” (Dahood 54).  Rothwell nos lembra que devemos também levar em consideração que houve variações geográficas e que partes da Inglaterra permaneceram falando francês e anglo-normando falando por estarem mais próximas da costa da Normandia, mantendo laços familiares distinto na região do Canal da Mancha. Por volta do século XIV, o anglo-normando dessas pessoas já apresentava muito vocabulário do  Inglês Médio. Frases e formas gramaticais desse período indicavam claramente que os Anglo-Normandos vinham lentamente sofrendo mudanças no seu modo de falar que levariam ao domínio total por parte da língua inglesa.

 Durante a Idade Média era comum entre os falantes nativos de inglês a fluência em francês como segunda língua. Estudiosos como Kibbee e Legge tentaram inferir a partir de textos escritos na época se o escritor era nativo Inglês ou falante nativo anglo-normando. Tal método não é totalmente confiável e ao final ele só poderia indicar a língua materna de quem escreveu o texto, não necessariamente a de quem falava. Na verdade, há uma grande distância entre a língua realmente falada e os registros históricos que ainda existem para responder à dúvida quanto aos registros escritos.  Algum trabalho também foi feito por Cecily Clark e D. Postles na análise dos sobrenomes e apelidos encontrados nos rolos de tributação e em outros registros. No entanto, essa é mais uma indicação de quanto a língua anglo-normanda se misturou na cultura Inglesa, não podendo ser caracterizada com uma língua materna. A escrita folclórica e hagiográfica também foi usada por Vising e Legge para identificar exatamente quanto tempo o Anglo-Normando permaneceu como língua falada, mas um artigo de Dahood levanta questões importantes sobre o quanto podem-se usar escritos folclóricos e religiosos como prova conclusiva do Inglês ser ou não falado entre a nobreza Normanda.

No século XIII e no início XIV houve uma escalada da literatura francesa e do prestígio do Francês. A língua se tornou algo de ostentação e foi um marcador de distinção, ambição e de classe social. No entanto, o crescimento da indústria paralela de ensino do francês (livros e manuais de ensino franceses) mostrava que a maioria dos falantes de francês não eram, de fato, nativos. Estudantes de classe média e alta que queriam se juntar às fileiras de prestígio de políticos, advogados, juízes e diplomatas queriam aprender o francês continental para ajudar no seu futuros. Portanto, embora o bilinguismo se tornasse popular entre a elite, isso não ocorreu até que anglo-normando tivesse deixado de ser falado como língua materna.

Um estatuto escrito em 1362 dizendo que todos os assuntos governamentais e legais devem ser escritos em Inglês nos pode dizer algo; primeiro lugar, que a linguagem do governo não era a língua do povo e, assim, e o francês como segunda língua já estava fora de moda e se manteve como uma linguagem de poucos. Em segundo lugar, uma vez que esse estatuto (posteriormente houve muitos mais) foi escrito em francês, obviamente o francês se mantinha como a linguagem da lei. Assim, alunos de estudos jurídicos e de negócios do século XIV de Oxford foram obrigados a fazer um curso complementar de francês complementar. Isso, levou Kibbee a concluir que nem mesmo os advogados não eram nativos da em Francês Legal e nem mesmo tinham o francês como segunda língua. Na verdade, o francês foi (oficialmente) o idioma dos tribunais ingleses até 1731, o que prova que oficialidade nem sempre reflete a prática.

Embora o chamado Inglês Médio (e, portanto, o inglês de hoje) tem uma grande dívida para com o francês e o normando em termos de um grande número de palavras tomadas por ‘’empréstimo’. O Anglo-Normando foi sempre somente apenas a língua materna de algumas gerações de elite da Inglaterra. Desde a conquista normanda de 1066 até o início do século XIII, o anglo-normando foi a língua materna da classe alta. Muitos eventos históricos, tanto maiores e menores, influíram na presença do francês como língua materna na Inglaterra, a partir de casamentos reais e da Guerra dos Cem Anos nos os grupos geográficos de imigrantes e descendentes Normandos. Depois de um tempo relativamente curto, no entanto, a língua anglo-normanda foi totalmente substituída pelo Inglês Médio, uma linguagem que facilmente revela a sua exposição próxima e prolongada ao anglo-normando e, portanto, ao francês.

Mais detalhes e história (links):

Jarreteira – http://pt.wikipedia.org/wiki/Ordem_da_Jarreteira

Brasão – http://pt.wikipedia.org/wiki/Real_bras%C3%A3o_de_armas_do_Reino_Unido

Plantageneta – http://pt.wikipedia.org/wiki/Dinastia_Plantageneta

 

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Gênero gramatical

Gênero Gramatical… para que existe isso na Gramática de 1/4 das línguas do mundo? Qual é real necessidade dos substantivos serem assim classificados? nquanto se pensa em classificar pessoas em Homens ou Mulheres, talvez os animais em Macho ou Fêmea, se entende. Vou até pesquisar isso para saber da causa da existência ou necessidade dos artigos.

No Inglês há, além dos gêneros Masculino e Feminino, um gênero Neutro o qual é bem claro, sendo basicamente tudo o que não for humano. Há, porém, uma grande quantidade de línguas, especialmente Indo-Europeias e  Afro-Asiáticas, nas quais mesmo o que não é humano tem gênero Masculino ou Feminino e também pode ter um desses desses gêneros ou o Neutro.

A partir desse assunto, poder-se-ia questionar (faremos  isso  em outro Post),  a necessidade dos Artigos. No caso do artigo ser Definido ou Indefinido parece haver uma razão mais clara, o Indefinido generaliza o substantivo, o Definido especifica bem do que, de quem, se trata.

Vejamos no  Quadro abaixo um resumo dos sistemas de gêneros existentes:

gêneros

 

Algumas observações:

  • Em Inglês, os animais domésticos e aqueles cujos nomes são razoavelmente diferentes para macho e fêmea podem ser  denominados tanto como It ou mesmo He ou She. É algo carinhoso referir-se ao animais de estimação como He ou She.
  • Em Alemão, há palavras que designam pessoas, ex. Mädchen, Kind, Baby, que são do gênero Neutro (Das).
  • Em Romeno, chamado gênero Neutro engloba palavras que mudam de gênero entre o Singular e Plural. Em Italiano também existe isso, o que não caracteriza um 3º gênero.
  • Em Tcheco, quatro são os gêneros: dois Masculinos (humano, não-humano), Feminino e Neutro.
  • Em Polonês, os três gêneros Masculinos são assim: no Singular, se dividem em Animado (homens, animais) e Inanimado; no Plural, se dividem em Humanos e Não-humanos (os animais vão para outro gênero)

A quarta parte das línguas do mundo que apresentam artigos são em sua maioria aquelas e da Europa, do Oriente Médio, da Índia.

Dentre as línguas da Ásia e naquelas nativas das Américas, Oceania e algumas da África não se encontram muitas que tenham Artigos.

Listemos algumas línguas que não apresentam essa classe de palavras.

  • Urálicas (Húngaro, Finlandês, Estoniano, línguas Sami)
  • Indígenas das Américas
  • Chinesas, Japonês, Coreano, Mongol
  • Sudeste Asiático (Indonésia, Malásia, Khmer, Tailandês, Laociano, Birmanês, etc)
  • Austronésias (Ilhas do Pacífico)
  • Algumas da Índia, em especial as não indo-europeias (do sul e Sri-Lanka)
  • Construídas – Esperanto, Interlíngua
  • Outras – Farsi (Persa), Ilokano (Filipinas), Tok Pisin (Nova Guiné), Mende (África)

Alguns casos especiais e curiosos: são também considerados como Classes de Substantivos.

  • Pirarrã (Amazônia brasileira) 4  – Humano; não-humano inanimado; não-humano animado aquático; não-humano não-aquático
  • Dyrbal (nordeste da Austrália) 4Seres vivos (inclui humanos masculinos) e seres mitológicos; Mulheres, Água, Fogo e correlatos, Violência, Criaturas e Fenômenos perigosos; Vegetais comestíveis e frutas; Demais substantivos
  • Luganda (de Uganda) 10
    • 1 – principalmente pessoas, há, porém, alguns seres inanimados nessa classe.
    • 2 – vários substantivos, a maior parte das árvores e os objetos longos e cilíndricos.
    • 3 – conceitos abstratos e a maioria dos animais.
    • 4 – inanimados e o neutro impessoal (conf. “it” do Inglês)
    • 5 – objetos grandes e líquidos; aí incluídos os aumentativos.
    • 6 – coisas pequenas, diminutivos, países, substantivos adjetivos abstratos; no plural substantivos verbais.
    • 7 – diversos, em especial os idiomas.
    • 8 – de pouco uso, designa pejorativos
    • 9 – para Infinitivos ou substantivos verbais afirmativos.
    • 10 – único p/ plural e singular, é usado para massas, granéis; também p/ gotas, algo precioso em pequenas quantidades.

Para quem quiser saber mais sobre G~eneros, ver http://en.wikipedia.org/wiki/Grammatical_gender

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Mano a Mano – Lunfardo, assim falava Buenos Aires

Mano a Mano (Celedonio Esteban Flores – letra; Carlos Gardel e José Razzano – música) é um dos tangos mais famosos e mais Lunfardos…

Em tempo, a palavra Lunfardo (ou, na forma curta, Lunfa) é uma gíria das classes mais pobres da Argentina e do Uruguai, cuja origem está na imigração Italiana. Seu nome é uma corruptela da palavra Lombardo (pessoa da região italiana da Lombardia) assim falada em algumas língua e dialetos da Itália.  Seria um modo de falar criado por presos para enganar os carcereiros.

Vejamos agora a letra de Mano a Mano. As palavras sublinhadas são Lunfardas e podem não ser compreendidas por aqueles que somente conhecem o Castelhano tradicional.

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Rechiflado en mi tristeza, hoy te evoco y veo que has sido
en mi pobre vida paria sólo una buena mujer.
Tu presencia de bacana puso calor en mi nido,
fuiste buena, consecuente y yo sé que me has querido
como no quisiste a nadie, como no podrás querer.

Se dio juego de remanye cuando vos, pobre percanta,
gambeteabas la pobreza en la casa de pensión.
Hoy sos toda una bacana, la vida te ríe y canta,
los morlacos del otario los jugás a la marchanta
como juega el gato maula con el mísero ratón.

Hoy tenés el mate lleno de infelices ilusiones,
te engrupieron los otarios, las amigas, el gavión;
la milonga, entre magnates, con sus locas tentaciones,
donde triunfan y claudican milongueras pretensiones,
se te ha entrado muy adentro en tu pobre corazón.

Nada debo agradecerte, mano a mano hemos quedado;
no me importa lo que has hecho, lo que hacés ni lo que harás…
Los favores recibidos creo habértelos pagado
y si alguna deuda chica sin querer se me ha olvidado,
en la cuenta del otario que tenés, se la cargás.

Mientras tanto, que tus triunfos, pobres triunfos pasajeros,
sean una larga fila de riquezas y placer;
que el bacán que te acamala tenga pesos duraderos,
que te abrás de las paradas con cafishos milongueros
y que digan los muchachos: “Es una buena mujer”.

Y mañana, cuando seas descolado mueble viejo
y no tengas esperanzas en tu pobre corazón,
si precisás una ayuda, si te hace falta un consejo,
acordate de este amigo que ha de jugarse el pellejo
pa´ ayudarte en lo que pueda cuando llegue la ocasión.

Para quem quiser entender as palavras lunfardas e saber mais sobre Mano a Mano – ver http://grammaramaspanishclasses.com/esp/articlesesp-tango-mano-a-mano-ll.html

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Lord Dufferin – História sobrenatural

Lord Dufferin – fato supostamente real

Lord Dufferin, um diplomata britânico, foi figura central desta história, que se tornou um dos contos sobrenaturais clássicos da Inglaterra.

 Uma noite, durante estadia em casa de campo de um amigo, na Irlanda, Lord Dufferin se sentiu inusitadamente agitado e não conseguia dormir. Tinha um inexplicável sentimento de medo, e assim, para acalmar os nervos, se levantou e atravessou o quarto rumo à janela.

 A lua cheia iluminava o jardim abaixo de um modo quase tão brilhante como se fosse manhã, quando Lord Dufferin chegou junto da janela. De repente, ele percebeu um movimento nas sombras e apareceu um homem, carregando uma caixa longa nas costas. A figura silenciosa e sinistra caminhou lentamente pelo pátio iluminado pela lua. Ao passar pela janela de onde Lord Dufferin atentamente observava, ele parou e olhou diretamente nos olhos do diplomata.

 Lord Dufferin recuou, o rosto do homem que carregava o fardo era tão feio que ele nem sequer pode descrevê-lo mais tarde. Por um momento seus olhos se encontraram, e, em seguida, o homem se afastou nas sombras. A caixa nas costas do homem era claramente um caixão.

 Na manhã seguinte, Dufferin perguntou a seu anfitrião e os outros hóspedes sobre o homem no jardim, mas ninguém sabia nada sobre ele. Foi até sugerido que tivesse tido um pesadelo, mas ele tinha certeza do que vira.

 Muitos anos mais tarde, em Paris, quando Lorde Dufferin estava servindo como embaixador Inglês na França. Ele estava prestes a entrar num elevador a caminho de uma importante reunião de diplomatas. Por algum motivo inexplicável, ele olhou de relance para o operador de elevador, e imediatamente reconheceu o homem que tinha visto carregando o caixão no jardim iluminado pela lua. Involuntariamente, ele se afastou do elevador e ficou ali enquanto a porta se fechou e o elevador partiu sem ele.

 Sua agitação foi tão grande que ele permaneceu imóvel por vários minutos. Em seguida, um acidente terrível ocorreu. O cabo de elevação se rompeu, o elevador tinha caído três andares para o porão. Vários passageiros morreram na tragédia, inclusive o próprio operador.

 Investigações revelaram que o operador tinha sido contratado somente para aquele dia, e ninguém nunca soube quem ele era ou de onde ele veio.

 

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